Mulheres na engenharia: precursoras e líderes

A Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, fez história ao formar uma turma de engenharia com mais mulheres do que homens. Aqui no Brasil, a UnoChapecó, universidade da cidade de Chapecó, no oeste catarinense, as mulheres na engenharia também são maioria e representam mais de 60% dos estudantes matriculados. Esses dois exemplos mostram que a realidade das mulheres na engenharia está mudando — e para melhor.

Entretanto, apesar das boas notícias, o quadro geral exibe números tímidos. Elas são mais da metade dos estudantes matriculados em instituições de ensino superior no Brasil, segundo o Censo da Educação Superior mais recente, de 2013, mas nos cursos de engenharia esse numero cai para 30%. Ainda assim, um avanço comparado aos 19% em 2000. Os salários também são mais baixos do que os dos homens. Em média, os homens ganham R$ 7.070, enquanto as mulheres, R$ 6.453, segundo informações da Fipe, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, publicadas pela Pini.

O que precisa mudar para que mais mulheres atuem no setor e tenham equidade de oportunidades e salários?

Mulheres na engenharia

As brasileiras pioneiras na profissão começaram a conquistar seu espaço no início do século 20. Em 1917, Edwiges Maria Becker Hom’meil entra para a história como a primeira engenheira do Brasil, formada pela Escola Polythecnica do antigo Distrito Federal, hoje a Escola Politécnica da UFRJ.

Outra mulher que merece destaque é Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do país e a primeira engenheira do Paraná, formada em 1945 pela UFPR.

Nos Estados Unidos, no final do século 19, duas mulheres deixaram sua marca na engenharia civil. Emily Warren Roebling é a engenheira responsável pelo andamento das obras de construção da Brooklyn Bridge, que liga o Brooklyn a Manhattan, em Nova York. Nora Stanton é a primeira mulher a se tornar membro da Sociedade Americana de Engenheiros Civis.

Emily Warren Roebling

O caminho das mulheres na engenharia é árduo e cheio de obstáculos. Elas precisam vencer preconceitos e impor seu estilo de liderança nesse ambiente ainda muito masculino. Algumas precisaram encarar situações constrangedoras para poder realizar o sonho de exercer a profissão.

Mulher de bigode, pode?

Evelyna Bloem Souto

Evelyna Bloem Souto tem uma dessas situações constrangedoras no currículo (e que até seria cômica, se não fosse trágica). A primeira aluna da engenharia civil da USP São Carlos teve que desenhar barba e bigode no rosto e precisou se “vestir de homem” para assegurar sua entrada na obra de um túnel que visitava com a turma em Paris, na França, onde foi estudar com uma bolsa.

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Situações como essa, de machismo explícito, talvez aconteçam cada vez menos na profissão. Mas o preconceito velado ainda habita os canteiros de obras e escritórios de engenharia. Em mais um ato de coragem feminino, foram criados grupos de trabalho que visam a igualdade de oportunidades para mulheres nos conselhos de engenharia pelo Brasil e o sistema Confea/Crea aderiu ao selo pró-equidade de gênero e raça.

Ainda aqui no Brasil, há iniciativas como o Projeto Mão na Massa, idealizado pela engenheira civil Deise Gravina, que oferece cursos de capacitação gratuitos para mulheres interessadas em trabalhar na área da construção civil. E a Tecnisa foi uma das primeiras empresas a contratar engenheiras para trabalho de campo pós-obra, quebrando um tabu da construção civil.

No exterior

Lá fora, as engenheiras, principalmente as que atuam no campo da tecnologia, ocupam posições de destaque. Isso demonstra que todo o esforço para tornar a engenharia um ambiente cada vez mais feminino está valendo a pena. As engenheiras têm cargos importantes em empresas como Google, Intel, Apple, Amazon, Dropbox entre outras. Muitas são ainda mais audaciosas e rompem barreiras ao fundar e gerenciar suas próprias empresas, como a engenheira Limor Fried, da Adafruit.

Na engenharia civil, Patricia Galloway orgulha-se de fundar uma empresa 100% de propriedade de uma mulher e por se tornar a primeira mulher presidente da Sociedade Americana de Engenheiros Civis, em 152 anos de história.

 

E você, conhece alguma mulher engenheira de destaque? O que faz para contribuir para que mais mulheres atuem nessa área? Deixe seu comentário.

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