Desde o ano de 2008 temos ouvido falar sobre a bolha imobiliária brasileira e a grande possibilidade de ela estourar. As perspectivas utilizavam, inclusive, a copa do mundo como um marco divisor do momento de crescimento à catástrofe no setor. Todos estes rumores surgiram devido a alta nos preços dos imóveis, que se apresenta constante desde o período em que a possibilidade foi levantada.

Contudo, novas perspectivas têm sido abordadas recentemente. Elas, por sua vez, trazem consigo indícios de que não há o que temer em relação a tão falada bolha imobiliária. Estes conflitos opinativos entre economistas e profissionais do setor de construção e imobiliário vêm gerando muitas dúvidas: será que esta bolha é mesmo real? De onde surgiu, então? O que está acontecendo? Ententa melhor a situação:

A bolha imobiliária: o que leva um país a vivenciá-la

Acompanhamos, em 2007, a tão falada bolha imobiliária nos Estados Unidos, a grande potência mundial. Na época, a falta de pagamento de hipotecas pelos cidadãos levou diversas empresas envolvidas nos empréstimos realizados para a compra da casa própria ao prejuízo. A reação do mercado à alta dos juros para controle do excesso de dinheiro em circulação, levou as pessoas a trocarem os investimentos em imóveis por títulos do governo. Com a queda da procura, os preços destes imóveis sofreram queda expressiva, o que desencadeou todo o processo de falências e perdas bilionárias para a economia americana.

O cenário descrito acima ocorreu por causa de dois fatores econômicos: o excesso de crédito e as especulações. Exite, ainda, um terceiro fator que pode contribuir para isto: causas estruturais, relacionadas às correções de valores da construção civil e de terrenos. Porém, para que haja o impacto de uma bolha, de fato, duas questões são levadas em consideração. A primeira delas diz respeito ao crédito citado, em que análises apontam esta consequência em países que dispõem cerca de 50% do PIB ou mais. A outra, o volume de imóveis construídos ao ano. No momento do estouro nos EUA, eram construídas algo em torno de 2,1 milhões de residências ao ano, para se ter uma ideia.

Neste sentido, a China, atualmente, tem se posicionando como um promisso mercado para este acontecimento. Apenas em 2013, foram construídas mais de 22 milhões de casas e outras estruturas de moradia, e as perspectivas vêm acompanhadas também de uma bolha de crédito, já que mais de 40% dos financiamentos realizados através do mercado de capitas foram destinados ao país. Isto evidencia, juntamente a fatores específicos da situação, mesmo que ainda distante, o estouro destas bolhas.

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O cenário brasileiro: entenda por que surgiram os rumores

Entre os anos de 2009 e 2013, os imóveis brasileiros têm registrado alta nos preços de 4 a 5 vezes. Apenas em 2013, o percentual de elevação nos valores chegou a 12, 7% – a maior alta entre os países com os maiores mercados imobiliários mundiais, segundo a consultoria Knight Frank. Estes fatores deram margem aos rumores de uma bolha imobiliária no mercado brasileiro. Para ampliá-los, o professor da universidade de Yale e Nobel de economia Robert Shiller, apontou diversas vezes aspectos favoráveis à bolha imobiliária no Brasil, comparando a situação daqui à de seu país em 2007.

Para complementar o episódio, um blog local deu margem à repercussão ao comparar os valores de imóveis no Brasil com de outros países. Contudo, a análise crua dos dados leva-se ao primeiro indício de equívoco nesta afirmação. Nosso país engloba as listas que indicam as maiores burocracias, custos e até mesmo precariedades globais. O custo de vida também não é diferente: dentre as 50 cidades consideradas mais caras no mundo, 4 estão no Brasil, sendo Brasília a 10ª colocada, o Rio de Janeiro a 25ª, Belo Horizonte a 43ª e Porto Alegre a 45ª. Das que figuram as mais baratas no ranking, apenas Fortaleza e Campinas fazem parte. Considerando a quantidade de cidades, não é de se espantar que o custo por aqui é, de fato, elevado. No mercado emergente, ao qual não é muito considerada dentre as citações do blog que alardou a situação, o Brasil ainda é considerado menos caro que a média.

Então… A bolha não existe?

Segundo os grandes nomes da economia brasileira, há diversos indícios que apontam inexistência da bolha imobiliária. Comparando com os Estados Unidos e a China, os exemplos citados, o Brasil constrói algo em torno de 400 mil moradias por ano, um volume consideravelmente inferior mesmo considerando a china 6,5 vezes maior. Além disso, apenas 7% de nosso PIB é empregado ao crédito, o que segundo Ricardo Amorim é um indício da inexistência da bolsa, já que em sua pesquisa não foi constatada esta situação nos países que por ela sofreram ou sofrem.

A questão é que a alta nos preços está diretamente ligada à relação de oferta e procura do mercado, além da possibilidade de crédito que é, hoje, mais fácil no Brasil que na última década. Por isso, aqueles que acreditavam que haveria uma redução dos preços dos imóveis no mercado após a copa, como foi muito comentado, aguardou à toa. Há indícios, inclusive, de que a tendência é que a situação seja ainda mais favorável ao mercado imobiliário e construtoras em geral. Isto porque muitos pouparam aguardando este momento pós copa. Como ele não virá, a demanda crescerá juntamente aos reajustes tradicionais.

Há de se analisar os dados para tirar as suas próprias conclusões. Mas todos os fatos evidenciam que todo este alarde é falso e o setor imobiliário, nunca foi tão propício!

E você, o que acha de tudo isso? Acredita na bolha imobiliária brasileira e que ela está prestes a se romper? Aproveite os comentários abaixo para expressar a sua opinião!