A produtividade do trabalhador brasileiro é a menor do mundo na construção civil. De acordo com dados de 2013 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), cada trabalhador do setor gerou de riqueza US$ 18,9 mil, valor muito inferior à média mundial de US$ 57,8 mil. Estudo da Fiesp mostrou ainda que a produtividade não acompanhou o forte aumento da atividade do setor nos anos anteriores à crise econômica.

Já vimos no blog as razões de o trabalhador brasileiro ser improdutivo. Elas se relacionam, é claro, com o trabalhador da construção civil. Só que existem particularidades da indústria que tornam o cenário ainda mais desafiador.

1.  Treinamento insuficiente

Em pesquisa recente da consultoria EY com empresas de capital aberto da construção, a qualificação da mão de obra foi mencionada por 78% dos entrevistados como lacuna da produtividade.

Os custos gerados pelo desperdício podem chegar a 40% do faturamento das empresas do setor. Os erros vão desde a utilização dos materiais até a falta de logística de produção. As informações foram fornecidas pelo SEBRAE, de Alagoas.

O treinamento é fundamental não só para o aumento da produtividade total dos fatores (PTF) como para a segurança dos trabalhadores no canteiro de obras. A NR 35 estabelece no mínimo oito horas para que o trabalhador esteja preparado para encarar o trabalho em altura. Já a NR 18 determina curso de no mínimo seis horas sobre condições e ambiente de trabalho na construção civil.

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2. Correria para entrega das obras

A correria para entregar as obras é reflexo do mau planejamento. Muitas empresas de construção civil trabalham com um cronograma apertado. Em vez de criarem processos claros e procedimentos que devem ser seguidos pelos colaboradores, os gestores se concentram em “apagar incêndio” para entregar o projeto a tempo.

Por falar nisso, para obter a ISO 9001, a empresa precisa entender as atividades como processos que trabalham juntos e as funções como um sistema que ajuda a atingir resultados consistentes e calculáveis. O gestor deve assegurar então que os colaboradores estejam familiarizados com as atividades da organização e como elas se complementam.

3. Falta de máquinas e equipamentos

A ausência de tecnologia nas empresas de construção civil é decisiva para a improdutividade do trabalhador brasileiro, que não conta com esses recursos no dia a dia para melhorar seu desempenho.

O estudo “A produtividade da construção civil brasileira”, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), enumera as razões apontadas pelas empresas para a dificuldade na aquisição de máquinas e equipamentos.

Quatro dos seis motivos apresentados têm relação com o custo. Além do alto preço dos equipamentos, os empresários reclamam do custo do dinheiro ao tomar emprestado das instituições financeiras. A dificuldade de acessar linhas de crédito para investimentos em tecnologia e a incidência tributária na adoção de processos industrializados são também motivos de reclamação.

4. Excesso de terceirização

Ao terceirizar a mão de obra, o gestor perde a oportunidade de treinar seus colaboradores de acordo com as prioridades da sua empresa. É claro que a terceirização não se mostra ruim em todos os casos. Em algumas situações, a empresa de construção civil precisa de mão de obra especializada que não faz parte do quadro de funcionários. O problema está quando a terceirização é usada de forma desenfreada e sem critérios.

Por lei, somente as atividades-meio, como vigilância, limpeza e alimentação, podem ser terceirizadas. São aquelas atividades de suporte à atividade-fim. No ano passado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que quase 70% das empresas brasileiras, incluindo as de construção civil, utilizam serviços terceirizados. Ainda de acordo com a CNI, 84% delas desejam manter ou ampliar a terceirização nos próximos anos.