Além da crise econômica que domina os noticiários brasileiros desde meados de 2014, outro fator também tem contribuído para alimentar a crise na construção civil: a corrupção e, mais especificamente, a Operação Lava Jato. O setor, que é responsável por cerca de 6,5% do PIB do Brasil, é o primeiro a sentir os efeitos da recessão, e por isso também serve como indicador econômico: se a indústria da construção não vai bem, o país inteiro pode entrar em declínio.

Até julho de 2015, o setor havia registrado 600 mil demissões em apenas 12 meses – um recuo de 5,6% nas vendas de 2014. Junto a isso, escândalos de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato, que investiga o desvio e lavagem de dinheiro envolvendo políticos e grandes construtoras, empreiteiras e empresários do setor. O reflexo dessa situação? Desemprego, queda na produtividade da indústria, perda de investimentos e credibilidade internacional e obras superfaturadas.

Sobrepreços

A conta é simples: desvios de recursos + inflação = obras caras e atrasadas. Pelo menos oito obras de infraestrutura sob responsabilidade de empresas investigadas pela Operação Lava Jato serão entregues até 10 anos depois do prazo original. O orçamento total delas era de R$ 66,1 bilhões – hoje, o custo já atinge R$173 bilhões.

Além disso, a crise econômica também fez com que o custo dos produtos aumentem, sejam eles alimentos, roupas, itens eletrônicos ou materiais de construção. Mais um fator que contribui para que o valor das obras ultrapasse o orçamento inicial – e essa realidade atinge o caixa de grandes e pequenas empresas.

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Baixa demanda

Com a restrição ao crédito e juros elevados, os brasileiros acabam evitando contrair dívidas e fogem de produtos de maior valor agregado como imóveis. Sem demanda para escoar os estoques, as construtoras paralisaram ou desistiram de obras em todo o país.

Falta de investimentos

A lavagem de dinheiro e a irregularidade nos contratos de obras das maiores construtoras do país fizeram com que o Brasil perdesse bastante credibilidade internacional. Dessa maneira, grandes investidores passaram a enxergar o país como um economia arriscada para fazer investimentos. Além disso, as condições não são atrativas para que a maioria das multinacionais estabelecem operações aqui.

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A crise na construção civil

A indústria da construção já vem dando sinais de melhora, mesmo que tímidos. Alguns estados brasileiros já não apresentam aumento no preço dos materiais de construção e a oferta de empregos no setor vem aumentando, em comparação com 2016. No entanto, a recuperação será lenta e os indicadores ainda estão abaixo da média dentro Índice Nacional de Custo da Construção Civil.

É preciso ter paciência, já que a Lava Jato continua a descobrir irregularidades e cada vez mais empresas e políticos são ligados aos esquemas de corrupção. Os empresários do setor já estão mais confiantes e preveem aumento na venda de imóveis até o fim de 2017.

Em tempos de crise, é importante manter os pés no chão e aproveitar medidas econômicas de apoio do Governo como oportunidade para apostar na inovação e retomar a produtividade da sua empresa.

 

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