O trabalhador brasileiro produz em média apenas um quarto do que o americano produz. No entanto, este problema não é exclusividade do Brasil: a produtividade na construção civil no mundo também enfrenta uma grave crise.

Seja por falta de investimentos, mão de obra qualificada ou pela baixa demanda em tempos de recessão, a construção civil continua muito atrás de outros setores quando o assunto é crescimento e produtividade.

Panorama mundial

Nos Estados Unidos, a produtividade na indústria da construção caiu pela metade desde o final da década de 1960. A nova sede da Apple, no Vale do Silício, foi inaugurada com dois anos de atraso e custou 2 bilhões de dólares além do orçamento. Na Alemanha e no Japão, a produtividade na construção quase não viu crescimento. Nos últimos 20 anos, a produtividade caiu 25% na França e na Itália.

De acordo com a Escola de Administração da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mais de 90% dos projetos de infraestrutura do mundo estão atrasados ou com o orçamento extrapolado. Uma pesquisa feita recentemente por arquitetos britânicos descobriu que 60% das obras de edifícios estavam atrasadas.

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Quais os motivos para a queda da produtividade?

Ao contrário do que inicialmente pensamos, o aumento no custo de materiais e insumos não é o maior responsável pela queda na produtividade da indústria. A construção civil é um dos setores com mais resistência à implantação de tecnologias – enquanto outras áreas inovaram e alavancaram seus negócios, a construção permaneceu estagnada, com mais trabalhadores do que máquinas. Esta tendência é bastante comum em países com acesso a mão de obra barata. Na Arábia Saudita, por exemplo, é mais barato importar trabalhadores da Índia ou do Paquistão do que comprar máquinas e equipamentos. Em muitos países, no entanto, os custos trabalhistas podem estimular as empresas a substituir os trabalhadores pelo capital.

A variação nas demandas pela construção civil gerou construtores focados na redução ou contenção de investimentos. De acordo com a consultoria Bain & Company, a indústria aprendeu a se preparar para a próxima recessão a partir de amargas experiências. Tecnologias construtivas trazem altos custos fixos, que são difíceis de cortar durante recessões. Já os trabalhadores e operários podem ser facilmente demitidos.

O resultado é uma construção civil que aumenta os preços para os clientes e ignora as ferramentas que podem melhorar a produtividade e reduzir os custos.

“Muitos profissionais da construção ainda usam planos desenhados manualmente e cheios de erros. Um construtor da década de 1960 acharia que pouco mudou nos canteiros de obras hoje, com exceção de melhores padrões de segurança.” – Ben van Berkel, arquiteto holandês

Como mudar essa situação?

É preciso pensar a longo prazo: investir em equipamentos mais tecnológicos não trará resultados para a sua empresa da noite para o dia. Mas em poucos meses, será possível notar os projetos sendo entregues mais rápido e as atividades fluindo melhor no canteiros de obras. Depois de um tempo, as melhorias de produtividade serão claramente percebidas no fluxo financeiro da empresa.

A China tem se destacado quando o assunto é investimento em tecnologias construtivas. Os últimos levantamentos mostram que a produtividade do setor aumenta cerca de 7% ao ano, apesar de ainda ser um índice baixo. O país tem investido em materiais e métodos mais eficientes, como as construções modulares, a impressão 3d e a automação de tarefas (já falamos sobre um edifício de 57 andares construído em 19 dias aqui). No Brasil, aos poucos a construção se mostra mais aberta para tecnologias e maneiras diferentes de construir, e as empresas que apostam nisso começam a se destacar no mercado.

No entanto, o medo de novas recessões econômicas continuam a restringir o investimento na inovação.

 

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Referência: The Economist