No ano passado, as concessões de empréstimos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram apenas R$46,6 bilhões, contra R$75,6 bilhões em 2015. Desse valor, R$36 bilhões foram destinados à aquisição de imóveis por pessoas físicas. Ou seja, a crise econômica gerou um efeito cascata: o poder de compra das pessoas diminuiu, o interesse por bens de alto valor desapareceu e a demanda da construção civil também caiu drasticamente.

Crise na construção civil

Entre janeiro e dezembro de 2016, foram financiados 199,7 mil imóveis – queda de 41,5% na comparação com 2015. As empresas de crédito, por consequência, passaram a cobrar juros e taxas maiores nos financiamentos.

Aliado a outros fatores – como a Operação Lava Jato – a construção civil brasileira vive uma crise sem precedentes. Até julho de 2015, por exemplo, o setor havia registrado quase 600 mil demissões em apenas 12 meses – um recuo de 5,6% nas vendas de 2014. Ao todo, em 2 anos foram fechados 899 mil postos de trabalho.

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Aumento no volume de empréstimos

Apesar dos índices dos últimos anos, a expectativa é a de que o volume de empréstimos para pessoas físicas e jurídicas aumente em 2017. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) estima que as concessões devem chegar a R$ 49 bilhões – alta de 5% em comparação com 2016. A entidade avaliou o cenário atual como de “estabilidade”, com moderado crescimento para o crédito da poupança.

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Dessa maneira, a recuperação da construção civil também deve acompanhar a tendência positiva do setor econômico e imobiliário. Com maior oferta de crédito e em um cenário mais estável, a população volta a recorrer às empresas de crédito para obter financiamento na compra de imóveis. As construtoras e incorporadoras também voltam, aos poucos, a receber mais demandas de projetos e novas obras.

Expectativas para 2017

Para este ano, as perspectivas para a construção civil são positivas (ou menos negativas). Depois de meses de recessão, o setor passou a registrar pequenas melhoras em alguns aspectos, como queda no preço de materiais e aumento nas contratações em alguns estados.

O governo também aprovou aprovou medidas para estimular o setor imobiliário, como a regulamentação da Letra Imobiliária Garantida (LIG), que amplia a oferta de crédito para a construção civil. De acordo com o presidente do SBPE, Gilberto Abreu Filho, “parece que o fundo do poço passou. O ano de 2017 não deve ser de um grande rompante nessa área. O desemprego continua alto, taxa de juros está caindo, mas ainda está alta. Isso sinaliza, porém, uma reação, mesmo que moderada”.

 

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