A baixa produtividade do trabalhador brasileiro não é novidade para ninguém. Ele produz em média apenas um quarto do que o americano produz.

Uma pesquisa produzida pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou que o custo do trabalho no Brasil subiu 136% entre 2002 e 2012, o que dá uma média anual de 9%. Custo do trabalho ou CUT é a média de gasto da indústria para produzir uma unidade de determinado bem, como carro, computador, avião ou eletrodoméstico. São três as variáveis consideradas por esse índice: salário médio real, produtividade e taxa de câmbio real.

O levantamento, que considerou outros 11 países, apontou crescimento na produtividade brasileira de apenas 0,6% em uma década. O resultado só poderia ser a lanterna do ranking. A Coreia do Sul, primeira colocada, avançou 6,7% no mesmo período.

Quais são as razões que fazem o trabalhador brasileiro improdutivo?

1. Educação e qualificação ruins

De acordo com o último Pisa, exame aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que avalia a cada três anos o desempenho de jovens de 15 anos de dezenas de países em matemática, leitura e ciências, o Brasil ficou entre as últimas posições. A situação é tão grave que 44% dos alunos brasileiros avaliados são tidos como semianalfabetos nas três disciplinas. Nas contas e no raciocínio matemático, nossos jovens têm desempenho inferior aos de Indonésia, Peru e Colômbia.

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Essa má formação educacional é prejudicial para qualquer atividade, mas não é o único motivo para a improdutividade. A ausência de políticas de qualificação para o trabalhador é evidente em algumas indústrias. Na construção civil, há muitas empresas, com destaque para aquelas que ainda não se formalizaram, que contam com gestão deficiente e ausência de processos. Esse amadorismo na condução do negócio é o tema do próximo tópico.

2. Ambiente empresarial burocrático e ineficiente

Ainda sobrevivem empresas de administração amadora em diversos setores da economia, como na construção civil. Isso ocorre porque o ambiente de negócios brasileiro está entre os piores do mundo. As barreiras comerciais à adoção de tecnologias estrangeiras, a estrutura tributária onerosa e de difícil entendimento e as intervenções repentinas do governo nos mercados e preços têm parcela importante para esse desempenho tão ruim.

Quer um exemplo de gestão ruim na construção civil? A falta de material para a execução do trabalho. “O consumo anormal de horas se dá na falta de material. Esse é um erro crasso de produção e suprimento. Imagine o custo de uma equipe de seis a oito pessoas sentadas no chão aguardando argamassa ou azulejo no 10º andar de um edifício. Quem paga essa conta?”, escreveu o professor e consultor Aldo Dórea Mattos em post disponível no site PINI.

3. Ausência de tecnologia no dia a dia

A utilização de equipamentos e máquinas aumenta a produtividade do trabalhador, que precisa receber treinamento adequado para tirar o máximo proveito da tecnologia. Perceba que um tópico está atrelado ao outro.

Entre 2003 e 2009, a produtividade da mão de obra na construção civil cresceu 5,8% ao ano, de acordo com a pesquisa “A produtividade da construção civil brasileira” da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). Isso só foi possível por causa do investimento em máquinas e equipamentos feito pelas empresas do setor.

4. Produtividade total baixa

Escrevemos recentemente sobre produtividade total dos fatores (PTF). Obter produção maior com a mesma quantidade de recursos ou emprego de menos recursos para alcançar a mesma produção. Essa é a máxima da PTF. O problema é que o Brasil está muito mal avaliado nesse quesito. A ineficiência da economia é tamanha que trabalhadores com o mesmo capital humano e físico daqueles dos países avançados produzem muito menos.

Com a PTF baixa, o país terá dificuldade de dar um salto em matéria de desenvolvimento, acompanhando as economias modernas, que estão se transformando em economias de serviço. Não há como se especializar em serviços mais sofisticados e tecnologicamente avançados se os fatores de produção não se desenvolvem satisfatoriamente.

 

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