As wetlands construídas já são realidade há algum tempo na indústria, apesar de muitos profissionais não conhecerem ao certo seu significado. Se você tentar traduzir literalmente, não obterá sucesso na tarefa. “Pantanal” e “terras encharcadas” dão apenas uma ideia do que essas construções representam.

Na natureza, as chamadas wetlands previnem inundações por reterem a água como uma esponja. Ao fazerem isso, elas mantêm os rios em níveis normais e purificam sua superfície. As wetlands recebem grande volume de água durante as tempestades e nos momentos de alta dos níveis dos rios. Quando esses mesmos níveis estão baixos, as wetlands liberam água de forma gradual. Esse recurso hídrico tem contato com as plantas que vivem no ecossistema das wetlands, o que melhora sua qualidade, razão pela qual as wetlands são verdadeiras purificadoras da água. Pântanos, manguezais e várzeas do rio são exemplos de wetlands.

O funcionamento das wetlands construídas é parecido. Com a adoção de diversas tecnologias, os engenheiros criam um ecossistema artificial utilizando os princípios básicos de modificação da qualidade da água observados nas wetlands naturais. As diferenças principais estão na possibilidade de controlar o regime hidrológico e na biodiversidade adotada.

Wetlands Construidos

O objetivo das wetlands artificiais está na melhoria da qualidade da água, motivo pelo qual essas construções vêm sendo utilizadas como sistemas de tratamento de águas residenciais (esgoto urbano). Seu uso não se limita naturalmente às residências. As wetlands construídas servem também para purificar enormes volumes de água gastos pelas indústrias em suas atividades.

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No Brasil, a primeira tentativa de utilização dessa tecnologia foi feita em 1982 com a construção de um lago artificial nas proximidades de um córrego altamente poluído localizado em Piracicaba, cidade do interior de São Paulo.

Como funcionam as wetlands

Há diversos sistemas possíveis de wetlands que podem ser construídos. Para saber ao certo qual utilizar, é preciso ter clareza sobre o orçamento disponível para a obra, por exemplo. Alguns são bem mais caros do que outros. O que você precisa saber de antemão é que os sistemas se dividem conforme a classificação abaixo.

  1. Sistemas que utilizam plantas aquáticas flutuantes.
  2. Sistemas que utilizam plantas aquáticas emergentes.

Em ambos os casos, as plantas vão agir para reduzir a poluição e melhorar os parâmetros que caracterizam os recursos hídricos. A eficiência do aguapé, uma planta aquática flutuante, na remoção de sólidos em suspensão está bem documentada. Possui alta capacidade de resistir a águas altamente poluídas com grandes variações de nutrientes, pH, substâncias tóxicas, metais pesados e variações de temperatura.

A maior parte dos sólidos em suspensão são removidos por sedimentação ou absorção no sistema radicular da planta. As plantas aquáticas flutuantes são usadas em projetos com canais relativamente rasos, que podem conter apenas uma espécie de planta ou uma combinação de espécies.

Já as plantas aquáticas emergentes ou macrófitas emergentes possuem o sistema radicular preso ao sedimento e representam a forma dominante das wetlands naturais. Desenvolvem-se em situações nas quais o nível do lençol freático está 50 centímetros abaixo do nível do solo até aquelas nas quais o nível da água está 150 centímetros acima do nível do solo. Estão divididas em três esquemas básicos, sendo eles: macrófitas emergentes com fluxo superficial, macrófitas emergentes com fluxo sub-superficial horizontal e macrófitas emergentes com fluxo vertical.

Wetlands pelo mundo

Destaque para o sistema superficial por ser um dos mais antigos do mundo com mais de 30 anos de operação na Holanda. Um projeto muito comum consiste de um canal de três a cinco metros de largura e da ordem de 100 metros de comprimento. No solo, é cultivada uma das plantas adotadas nesse sistema. Uma lâmina de água entre dez e quarenta centímetros é mantida sobre a superfície do solo. A purificação da água é resultado da ação de microorganismos fixados no liter, na superfície do solo e na parte submersa do caule das plantas.

Há dois outros sistemas comuns de wetlands construídas. O primeiro recebe o nome de “solo filtrantes”. Construído a partir de camadas superpostas de brita, pedrisco e solo cultivado com arroz, esse sistema costuma ser utilizado no tratamento secundário e terciário de esgoto urbano. Já o último modelo não é propriamente uma novidade por se tratar de uma combinação dos sistemas mencionados.

A aplicação ao mesmo tempo de dois ou mais sistemas depende das seguintes variáveis: efluente a ser tratado, eficiência final desejada na remoção dos poluentes e contaminantes, área disponível, interesse na utilização da biomassa produzida e objetivo paisagístico.

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